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Destiny 2 – Análise

Escrito por Análises

Logo que fiquei sabendo do lançamento de Destiny 2 a primeira coisa que me veio a cabeça foi: será que é só mais Destiny, ou dessa vez eu terei algum motivo bom para ficar matando aquele monte de alienígenas? A resposta para essa pergunta acabou sendo bem mais complexa do que eu imaginava, em linhas gerais Destiny 2 é o Destiny 1 sem o monte de baboseira que fazia o primeiro jogo não ser tão bom.

Para começar, Destiny 2 te dá um propósito para lutar e um senso de pertencimento que não existia no primeiro jogo da série: quando um raça alienígena imperialista invade tua casa e prende uma máquina de metal na sua bola gigante favorita o que você faz? Atira em todo mundo sem remorso e sem pensar duas vezes. É incrível o quanto a adição de uma história competente na mecânica de viagem interplanetária fez bem para Destiny 2. Dessa vez você não está só vagando pelo sistema solar e encontrando raças alienígenas diferentes e vazias que são seus inimigos simplesmente por que elas atiram quando te encontram, em Destiny 2 o inimigo tem um propósito claro (e até um conflito interno): Dominus Ghaul é o vilão que faltava para série.

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Dominus Ghaul: o vilão que Destiny 2 merece.

Mais do que desenvolver os inimigos, Destiny 2 faz um excelente trabalho reintroduzindo os aliados que estavam presentes no primeiro jogo. De repente Ikora, Cayde-06 e Zavala não eram somente os NPCs que eu conversava para fazer quests e ganhar itens, mas sim guardiões renomados e orgulhosos que precisavam recuperar seu lar e libertar seu povo. Destiny 2 finalmente nos deu a oportunidade de conhecer suas personalidades, se empolgar com suas façanhas, rir das suas piadas (Cayde-06 realmente se dedica a essa tarefa) e enfim fazer parte desse grupo chamado de Guardiões. Até os novos personagens inseridos na trama têm seu charme e importância no desenrolar dos eventos.

Um dos pontos positivos de Destiny 2 é que ele utiliza a história para te situar no mundo dos guardiões, mesmo se você não jogou o primeiro game. A história te explica melhor do que nunca o que é ser um guardião e por que é importante impedir a legião vermelha, e acerta na medida o equilíbrio entre mostrar a gravidade da situação e não se levar a sério demais.

Os guardiões basicamente são guerreiros que não podem morrer, quando eles caem em batalha os seus Fantasmas (robozinhos falantes que acompanham os guardiões) conseguem revive-los, tudo isso graças ao poder da luz que é concedido pelo Viajante (a tal bola gigante no meio da cidade e que todo mundo venera). Quando a legião vermelha invade o planeta e desconecta a ligação do viajante com os guardiões, eles se deparam com algo que a muito tempo já não fazia parte dos seus problemas: o medo da morte. Em algum momento do jogo seu personagem consegue receber a luz novamente e você se torna o único guardião capaz de deter o inimigo, de repente você é a única esperança de vitória e o destino da sua raça depende das suas ações. Detalhe: tudo isso acontece no prólogo do jogo, então tudo já começa de forma bem dramática.

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O viajante é a bola gigante que todo mundo adora e que você precisa salvar.

Uma das coisas que torna tão prazerosa essa jornada é a forma com que ela é apresentada a você, os diálogos, cutscenes e até as interações entre os personagens enquanto o tiroteio corre solto durante uma quest são absolutamente incríveis. Seu fantasma irá alternar momentos hilários, dramáticos e sarcásticos a todo momento, e a qualidade do texto é incontestável (vale dizer que a dublagem em PT-BR também está ótima). Um ponto que foge da curva são os diálogos com Failsafe, uma inteligência artificial bipolar que alternas momentos de simpatia com sarcasmo puro, nas palavras de Cayde-06: “Conheça Failsafe e sua irmã gêmea do mal, Failsafe”.

Outro ponto positivo ao jogar as missões da história de Destiny 2 é o fator “momentos épicos”. Uma das coisas que mais me agradaram em Destiny 2 é o quanto ele tem alguns momentos de Halo, principalmente da segunda metade para frente. Em algumas missões existem passagens completas com veículos e mais para o fim do jogo as ações do seu personagem tem um impacto gigante na história, além disso o cenário dessas missões escala exponencialmente. Em diversos momentos tirava 1 minuto do tiroteio frenético para admirar o cenário e em outro escolhia levar um tiro ou dois para admirar o sol em uma das missões principais.

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Pouco antes de sair no meio de uma tempestade solar. Coisa linda!

Um dos motivos para a história de Destiny 2 encaixar tão bem na trama é que ela não só serve para introduzir o jogador no universo, mas ela serve como uma espécie de divisória para a segunda metade do jogo: a parte que realmente importa. Destiny 2 é um jogo dividido em 2, e a segunda parte começa quando você alcança o nível 20 e finaliza as missões principais da história, daí para frente o jogo muda drasticamente e se torna o Destiny que todo mundo conhece. Mais ainda do que ser a segunda metade do jogo, dá para dizer que essa é a metade mais importante.

Destiny 2: dois jogos pelo preço de um.

Muitos modos de jogo mais interessantes como os Assaltos, Desafio dos 9 e missões mais difíceis só ficam disponíveis após completar a história, e algumas delas como as Raids, somente após alcançar um determinado nível de Poder (é a métrica que o jogo usa para medir a força do seu personagem).

Acima de tudo, Destiny 2 é um jogo baseado na busca por itens mais fortes, boa parte do seu tempo jogando vai ser em busca de equipamentos novos e melhores para deixar o seu personagem mais poderoso: o famoso grind. Quando falamos em grind logo pensamos em ficar horas fazendo um processo repetitivo e torcendo para cair algum item que valha a pena, o grind de Destiny 2 ainda tem um pouco disso, só que mais prazeroso de ser feito e com uma variedade enorme de coisas para se fazer. Existe uma infinidade de opções para farmar itens melhores, é possível desde ficar parado em um planeta fazendo somente eventos públicos, até montar um time e fazer a lista de assaltos da semana. Inclusive, semanalmente o jogo dá objetivos para cumprir chamados milestones, cujas recompensas são itens poderosos. Destiny 2 sempre tem um motivo para te trazer de volta ao mundinho e jogar por muitas horas após terminar a história principal. Se você se sentir meio perdido com a infinidade de itens que vão aparecer no seu inventário, pode ser uma boa dar uma olhada em nosso guia de armas exóticas de Destiny 2 e o guia de armas lendárias, eles devem ajudar você a separar o joio do trigo.

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Sunshot é uma pistola que explode seus inimigos. Literalmente.

“Ta ok, mas qual o propósito de ficar muito forte no jogo se a história já está completa”? Essa é a pergunta que eu sempre faço para qualquer jogo baseado na busca por itens, e a resposta de Destiny 2 é uma que faz sentido para mim: você precisa estar forte para dar conta do desafio de verdade. As Raids e Assaltos anoitecer são missões muito difíceis e que seu personagem só terá chance de cumprir ao chegar em determinados níveis de poder (cada um deles tem exigências de poder diferentes). Tanto que guardiões com nível de poder menor do que o recomendado são penalizados causando menos dano aos inimigos, tornando praticamente impossível de completar a missão e sendo literalmente um peso morto para o time.

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Leviathan é a primeira Raid de Destiny 2 e precisa de 260 a 280 de poder.

Essa exigência de farmar itens melhores para ter acesso a esses desafios não é a toa, é uma forma que o jogo encontrou de fazer os jogadores explorarem o mundo de Destiny 2 e fazer amizade com outros jogadores. Por se tratar de um jogo que precisa de trabalho de equipe e com diversas funcionalidades sociais, Destiny 2 quer você jogue em grupo e por isso é essencial fazer parte de um clã no jogo. Além de ser mais fácil (e mais legal), quanto mais evoluído for o clã que você faz parte, melhor as recompensas recebidas. Após conseguir bons itens e ter um grupo de jogadores de confiança, Destiny 2 libera a recompensa máxima: colocar seus itens e seu trabalho de equipe à prova, e acredite: nem sempre você estará a altura do desafio. Se prepare para tentar (e falhar) muitas vezes antes de conseguir conquistar a Raid Leviathan.

Essa necessidade de ficar mais forte ajuda os jogadores a experimentar e explorar ainda mais a infinidade de armas e armaduras do jogo. É ótimo testar os diferentes tipos de rifles, espadas, lançadores de granadas, entre outros, e suas combinações de sinergia com a subclasse de seu personagem. O modo de jogar pode variar muito dependendo dos itens que você conseguiu em sua aventura, e vale a pena ir atrás dos itens que melhor se encaixam no seu estilo de jogo: gosta de ser o homem de frente atravessando as linhas inimigas? Procure sua melhor espada e combine com uma armadura que favorece sua vitalidade. Prefere dar cobertura aos companheiros de longa distância? Prepare seu rifle sniper e encontre um lugar bom para fazer a tocaia.  Quer ver o circo pegar fogo e matar todos os aliens de uma só vez? Lançadores de granadas estão ai para isso. Toda essa variedade aliada a sensação única de encontrar um item desejado depois de algumas horas de jogo fazem de Destiny 2 o lugar perfeito para passar horas e horas de jogo com seus amigos.

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Crisol está melhor, mas ainda tem um longo caminho a percorrer.

Enquanto o modo PvE brilha mais do que nunca em Destiny 2, as batalhas de jogadores contra jogadores no Crisol apesar de estarem melhores do que no jogo anterior, ainda precisam de alguns ajustes. As batalhas funcionam bem e jogar PvP é um modo sólido para subir de nível com seus personagens, mas é comum perder partidas por conta de jogadores que abandonam a disputa antes da hora. Equipes fechadas e que estão se comunicando por voz tendem a dominar as partidas com certa facilidade, o que ressalta ainda mais as falhas de comunicação com o time quando se está jogando sozinho. Acima de tudo, o modo PvP não é tão divertido como outras opções do mercado. O lado bom é que a Bungie já se pronunciou dizendo que está buscando formas de deixar o Crisol mais interessante.

O que ainda pode melhorar:

  1. Na versão de PC é praticamente impossível se comunicar com texto, o chat é confuso. É difícil entrar no canal aberto e simplesmente as mensagens não aparecem para os jogadores dentro do jogo.
  2. Conhecer outros jogadores usando apenas as ferramentas sociais é complicado, mesmo estando rodeados de outros jogadores em eventos públicos ou missões secundárias, se comunicar com eles é difícil. Se quiser encontrar alguém para jogar, é melhor recorrer a um canal de Discord.
  3. Todo jogo com modo PvP precisa punir jogadores que saem no meio das partidas, se não vira várzea.
  4. Não que seja absolutamente necessário, mas seria legal ter mais opções de veículos para usar em batalha nas missões da história ou em eventos públicos.
  5. Apesar de terem algumas diferenças bem claras, o estilo de jogo não é muito afetado pela escolha de classe do personagem. Seria interessante acrescentar algumas mecânicas únicas para cada uma delas.

Resumão:

Destiny 2 conserta muitos dos erros que assombravam seu antecessor, ele reintroduz o jogador ao mundo de Destiny sem cobrar conhecimento prévio e na maioria das vezes faz um trabalho de apresentação muito melhor do que o jogo anterior. Aos veteranos o jogo entrega o que Destiny tem de melhor, com algumas melhorias muito bem vindas. Se aventurar no mundo de Destiny 2 é um prazer, ainda mais na companhia de amigos ou companheiros de clã, sendo na busca por itens melhores ou se colocando a prova nos Assaltos ou Raids.

Em poucas palavras, Destiny 2 é tudo o que Destiny 1 poderia ter sido, sem a parte ruim. Se você deixou o primeiro jogo passar batido, ou como eu, não teve paciência de se dedicar o suficiente para ver o que os jogadores mais fanáticos viam na franquia, essa pode ser a sua chance de encontrar um mundo do qual você vai gostar de fazer parte.

 

**Essa análise foi feita com base na versão de PC de Destiny 2, em mais de 20 horas de jogo.

Modificado pela última vez em: 11/16/2017